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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Custo de produção no Brasil é o menor do mundo e margem é o triplo dos EUA


A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado realizou na semana passada em Brasília audiência pública para discutir os altos preços dos carros no Brasil, com a presença de representantes da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento, do Ministério Público Federal e do Sindipeças - o sindicato dos fabricantes de autopeças.
Todos os expositores colocaram a questão dos altos preços do carro praticado no Brasil comparados com outros países: tanto países do primeiro Mundo - Estados Unidos, Europa e Japão - quanto em relação aos nossos vizinhos Paraguai e Argentina. O exemplo do Corolla foi o mais citado: o carro custa US$ 16,2 mil, nos Estados Unidos, US$ 21,6 mil na Argentina e US$ 28,6 mil no Brasil.
 
O representante do Ministério Público, Antonio Fonseca, pediu ao Senado a revogação da lei que Renato Ferrari, que regulamenta a distribuição de veículos. Disse que o setor não precisa de regulamentação que essa lei provoca o oligopólio, prejudica a livre concorrência e cria reserva de mercado em regiões do País, o que contribui para o aumento do preço final do carro.
 
Segundo o estudo apresentado pelos fabricantes de autopeças aos senadores, a margem de lucro praticada no Brasil é a maior do mundo, 10% sobre o valor ao consumidor, enquanto a margem média mundial é de 5% e nos Estados Unidos o lucro é de 3%.
 
De acordo com o Sindipeças, o custo de produção do veículo no Brasil é menor do que em qualquer parte do mundo. Esse custo, que inclui matéria prima, mão de obra, logística e publicidade, entre outros (que as montadoras chamam de Custo Brasil) é equivalente a 58% do valor final do carro. A média mundial é bem maior, de 79%, e nos Estados Unidos esse custo sobre para uma faixa entre 88% e 91%.
 
Os impostos seguem na mesma proporção. No Brasil o imposto sobre o carro é de 32%, a média mundial é 16% e nos Estados Unidos varia de 6% a 9%.
 
As montadoras argumentam que a margem é maior no Brasil por causa no custo do capital. "Nenhum empresário vai colocar o seu capital num investimento de risco ou de baixo rendimento para ganhar 6% ao ano ele deixa aplicado na poupança", disse uma fonte dos fabricantes, acrescentando que, se o custo do capital for levado em conta, a margem de lucro do Brasil e dos Estados Unidos ficaria equivalente.
 
O estudo indica ainda que a margem de lucro das empresas de autopeças de capital fechado, ao contrário, é menor no Brasil em comparação com o resto do mundo. Neste ano, o lucro foi de 4,8% e de 5,8% das empresas de capital aberto, contra 7,2% das empresas no resto do mundo.
 
Em estudo que comparou os anos de 2009 a 2012, apenas o primeiro ano registrou que o Brasil superou o resto do mundo no lucro com o setor: 4,2% das empresas com capital fechado e 5,0% com capital aberto, enquanto no resto do mundo foi registrado lucro de apenas 1,3%.

Fonte: CIMM

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Brasil pode receber mais nove fábricas de automóveis


O Brasil pode abrigar, nos próximos anos, mais nove fábricas de automóveis e comerciais leves, caso os projetos anunciados nesta edição do Salão do Automóvel de São Paulo se confirmarem. A lista é composta, em sua maioria, por tradicionais marcas europeias e asiáticas que estão de olho no crescente mercado brasileiro que, na visão de analistas, poderá tornar-se o terceiro maior mercado mundial de carros.
Muitas delas tinham intenção de chegar ao consumidor brasileiro apenas via importação, mas o Inovar-Auto, programa anunciado pelo governo este mês, coloca o carro estrangeiro em desvantagem competitiva, forçando à produção local as marcas com ambição de vendas acima de 5 mil unidades ao ano.
 
"Com o novo decreto do governo, quem quiser vender carro no Brasil terá de produzir aqui ou se limitar a uma cota de até 4,8 mil carros ao ano", diz um fabricante. Para os importados fora da cota, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) será 30 pontos porcentuais maior, "o que torna muito difícil a concorrência com carros que não recolhem esse super IPI".
 
Na lista das que estudam a produção local estão Audi, Mercedes-Benz, Land Rover e Volvo, todas do segmento de carros de luxo. Seus produtos terão de concorrer com a BMW, que na segunda-feira (24) confirmou uma fábrica em Santa Catarina, num investimento de R$ 550 milhões.
 
"Temos o desejo de produzir no Brasil, mas anunciaremos uma decisão até o fim do ano, após a conclusão dos estudos", disse Flávio Padovan, presidente no Brasil da Land Rover, grupo britânico/indiano.
 
A chinesa Great Wall, que participa do Salão do Automóvel de São Paulo pela primeira vez, informou que até dezembro entrega ao governo proposta de habilitação ao novo regime automotivo e projeto de uma fábrica local.
 
"Nossa intenção é iniciar as vendas de modelos importados em meados de 2013 e, dois anos depois, partir para a produção local", informou Roberto Someya, da Latin American Motors, representante da Great Wall no Brasil. Ele calcula em R$ 1,5 bilhão o investimento para o início das operações locais e na fábrica, que terá capacidade inicial de 50 mil veículos ao ano. Segundo Someya, a LAM é formada por um grupo de investidores brasileiros que assumirá todo o projeto.
 
Outro grupo nacional que estreia no salão com intenção de importar e, futuramente, produzir quatro marcas de veículos chineses é o S.Auto. A empresa representa as marcas Changhe, Jonway, Land Wind e Shuanghuan. "A intenção é produzir no Brasil a partir de 2017", diz Flavio Correia, diretor da empresa que vai abrir cinco concessionárias em janeiro.
 
Também já anunciaram fábricas e aguardam detalhamentos do Inovar-Auto para iniciar obras o grupo Districar e o CN Auto. Ambos assinaram protocolo de intenções com o governo do Espírito Santo. A Districar pretende investir cerca de US$ 300 milhões para montar veículos das marcas as chinesas Changan e Haima e da coreana Ssangyong. Já a CN Auto, que anunciou uma fábrica para 25 mil veículos em 2014, já adiou o cronograma para 2015.
 
Sem aval. A Kia Motors, maior importadora brasileira, reclama que o governo brasileiro cometeu um "equívoco" ao limitar a cota a 4,8 mil veículos. Segundo o presidente da empresa, José Luiz Gandini, a Kia, que importou em média 52 mil veículos nos últimos três anos, tem uma rede com 172 revendas e emprega 8 mil pessoas. "A regra deveria ser pela média das importações", reclama.
 
Gandini tenta há vários anos obter o aval da matriz para a instalação de uma fábrica no País. "O projeto de uma fábrica local está em negociação, mas ainda não temos uma definição da Kia Motors Corporation", disse.
 
A chinesa JAC Motors confirmou fábrica na Bahia, com investimento de R$ 900 milhões. A pedra fundamental será instalada em novembro. A Chery já está em fase de construção de sua unidade em Jacareí (SP), e ontem anunciou que produzirá na unidade o modelo Celer nas versões hatch e sedã. O grupo vai investir US$ 400 milhões.

Fonte: cimm

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Jacto deve montar fábrica no Brasil para atender Nissan


A fabricante japonesa de transmissões Jacto tem boas chances de montar uma fábrica no Brasil, segundo declarou o presidente Takashi Hata à agência Dow Jones. O empreendimento deverá atender principalmente a sócia Nissan, que detém 75% do capital acionário da empresa e está construindo fábrica em Resende (RJ), onde fará os modelos March e Versa e também motores, que vão precisar de caixas de câmbio. Existe a possibilidade, ainda, de serem produzidos carros da Mercedes-Benz na nova planta fluminense, dentro do acordo de cooperação global da Aliança Renault Nissan com a Daimler para desenvolvimento de veículos e componentes. 
A vinda da Jacto vem de encontro à necessidade de aumentar rápido o grau de nacionalização dos veículos que a Nissan produzirá em Resende, para que a empresa possa elevar suas compras nacionais e assim anular o acréscimo de 30 pontos porcentuais de IPI aplicados sobre todos os carros vendidos no País, de acordo com as normas do Inovar-Auto, o novo regime automotivo brasileiro. Também por esse motivo a Nissan já decidiu fazer motores no Brasil, conforme antecipou Automotive Business.
 
“Precisamos de outra planta fora a do Japão, tanto no Brasil ou Índia. Nossa presença nessas duas regiões é quase negligente, então temos de adicioná-las à nossa lista”, disse Hata à Dow Jones. Por enquanto, a Jacto está focada em ampliar a produção nas plantas já instaladas no México e na China, bem como começar um novo empreendimento na Tailândia. 
 
Os planos de internacionalização da Jacto atualmente são orientados pelos projetos da Nissan, seu controlador e maior cliente, responsável por dois terços do faturamento – de US$ 7,3 bilhões em 2011. A Jacto projeta mais que dobrar suas vendas até 2019, para US$ 12,7 bilhões, em linha com a ambição da Nissan de aumentar sua participação global dos atuais 6% para 8% até 2017, contando para isso com expansão em mercados emergentes como o Brasil.
 
Nissan é a primeira habilitada no Inovar-Auto
 

A Nissan é a primeira montadora habilitada pelo governo a operar dentro do novo regime automotivo Inovar-Auto, regulamentado no início de outubro. A portaria que habilita a montadora, divulgada na sexta-feira (19), no Diário Oficial da União, determina que a Nissan tem até 1º de fevereiro para apresentar ao governo seu projeto de investimento. De acordo com as normas do novo regime, o projeto deverá contemplar a descrição e as características técnicas dos veículos a serem importados e produzidos. 
 
Agora habilitada, a Nissan poderá importar 6.666 unidades por mês, perfazendo um total de quase 80 mil veículos para 2013, que não terão incidência do aumento de 30 pontos porcentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Some-se a isso a cota de importação dentro do acordo automotivo com o México, cerca de 35 mil unidades, que a empresa pode trazer sem pagar imposto de importação de 35%. 
 
Segundo a agência de notícias Reuters, um representante da Nissan afirmou que a montadora deve retomar as vendas em patamares normais no Brasil a partir de novembro, depois que sua cota de importação do México acabou no fim de agosto, reduzindo a oferta de produtos no País. É de lá que a empresa traz os veículos de maior volume, como o hacth March e o sedã Versa. A falta de produtos causou queda de 55% nas vendas de setembro (4,5 mil) com relação a agosto (10 mil).

Fonte: http://www.cimm.com.br

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Embraer investe 177 milhões de euros em fábricas em Portugal


Lisboa - A Embraer inaugurou nesta sexta-feira duas novas fábricas na cidade portuguesa de Évora (a 154 quilômetros a leste de Lisboa), nas quais investiu um total de 177 milhões de euros.
O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, e membros do Governo participaram de um ato que marca o começo do funcionamento das duas unidades: a Embraer Metálicas e a Embraer Compósitos, previstas para funcionar a pleno rendimento no segundo semestre de 2013.
Produção na Embraer
Sua incumbência será elaborar componentes de fuselagem tanto para as asas como para as caudas das aeronaves da Embraer, que além disso tem outros acordos com empresas de Portugal para fabricar no país peças de seu avião de transporte militar KC-390.
"A inauguração hoje das primeiras fábricas de Embraer na Europa é um passo decisivo em nossa estratégia industrial", declarou o presidente de Embraer S.A., Frederico Fleury Curado.
A Embraer tinha anunciado a escolha de Évora como sede de sua fábrica na Europa em meados de 2008 e a construção dos cerca de 70 mil metros quadrados de suas instalações começou em 2010.
Em seu discurso durante a inauguração, Cavaco Silva expressou seu desejo de que o investimento da empresa brasileira sirva para aumentar "a produtividade e competitividade" do país, e defendeu a ideia de que ele contribua para a "recuperação econômica" de Portugal, que vive a pior crise econômica das últimas décadas.
Por enquanto, as unidades empregam cerca de cem pessoas, embora quando estiver em pleno rendimento contará com cerca de 600 postos de trabalho diretos e 1.400 indiretos.
Portugal e Brasil fomentaram nos últimos anos a colaboração no setor aeronáutico.
À parte das unidades de Évora, os Governos de ambos os países assinaram no final de 2011 um acordo entre a própria Embraer e duas empresas portuguesas para fabricar as peças do KC-390. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Energia mais barata beneficia indústria de alumínio


A redução de até 28% da tarifa de energia elétrica para o setor industrial deve reduzir os custos fixos de produção do setor em até 4%, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na média, contudo, a queda deve ficar em torno de 0,8%, de acordo com cálculos da confederação com base na Pesquisa Industrial Anual (PIA) de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelas contas da CNI, as despesas com energia representam 3,9% do custo fixo para a indústria e cerca de 85% do consumo industrial é de energia elétrica.
A indústria elogiou ontem (11) o pacote do governo que reduziu o custo da energia elétrica. Apesar dos elogios, os representantes ponderaram que o impacto direto de até 28% de queda é restrito a um grupo pequeno de empresas e, mesmo com a redução, o custo do insumo no país ainda é elevado.
 
A tarifa média de energia elétrica paga pela indústria brasileira deverá cair de R$ 329 para R$ 264 por megawatt-hora, segundo cálculos preliminares da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Em um ranking de 27 países, no qual o último tem a tarifa mais cara, com a redução o Brasil ganha quatro posições e passa da 24ª para a 20ª posição da lista. Deixa para trás Chile, México, El Salvador e Cingapura. Para o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, a redução das tarifas anunciada pelo governo pode ser classificada como "um avanço gigantesco" e recupera a competitividade de setores eletrointensivos, como o de alumínio.
 
Segundo a CNI, do custo médio total da tarifa de energia elétrica, cerca de 45% são referentes a encargos, taxas e tributos. O Brasil, de acordo com a confederação, paga 143% a mais pela energia do que os outros países que compõem o grupo dos Brics (Rússia, Índia e China e África do Sul). Nas contas da Firjan, a diferença é menor em relação aos Brics - 90%.
 
O diretor do Departamento de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, disse que apenas 1,8% das indústrias do país serão contempladas com a queda de até 28% no preço da conta de luz, a redução máxima anunciada ontem pelo governo. Segundo Cavalcanti, as demais 98,2% de empresas terão um benefício bem inferior, ficando com os 19% de redução anunciados pelo governo. "Os maiores beneficiados serão, especificamente, os empresários da indústria eletrointensiva."
 
Apesar da pequena participação no setor industrial, o segmento mencionado pelo diretor da Fiesp consome, sozinho, 57% de toda a energia industrial do país. Trata-se de empresas dos setores de alumínio, cimento e siderurgia, entre outros. Mesmo com a concentração dos maiores benefícios nessa categoria da indústria, a Fiesp comemorou os resultados. "A queda média do preço da energia será de 20,2%. Não temos como negar que isso é uma revolução no setor. Nunca houve uma queda de energia na história como essa", comentou Cavalcanti.
 
Gouvêa Vieira, da Firjan, elogiou bastante a iniciativa do governo de diminuir o preço da energia no Brasil, mas destacou a importância de avançar no assunto. Um dos próximos passos, segundo ele, pode ser a queda das alíquotas de ICMS pelos governos estaduais.
 
Para o presidente da Alcoa no Brasil, Franklin Feder, a redução de até 28% no preço da energia elétrica aproxima o custo desse insumo na indústria brasileira de alumínio da média internacional, de US$ 35 por megawatt-hora (MWh), segundo ele. "Aqui, chegamos a pagar US$ 82 por MWh, no pico", afirmou. Mas, ainda assim, o valor deve seguir acima do de concorrentes, disse.
 
Com a recente desvalorização do real, a tarifa baixou para um nível próximo de US$ 60 MWh. Por isso, a expectativa da Alcoa é que o alívio nas contas de luz aproxime o Brasil da média global. Mesmo assim, conforme acrescentou Feder, países do Oriente Médio oferecem energia elétrica abaixo de US$ 20 MWh. O executivo lembrou que a indústria de alumínio está com estoques elevados em termos globais, o que tende a desestimular novos investimentos em ampliação de capacidade.
 
A diretora-executiva de Sustentabilidade e Energia da Vale, Vania Somavilla, que a redução do custo da energia vai beneficiar não só as empresas: "É um benefício sistêmico", frisou. Para ela, a medida aumenta a competividade e ajuda na geração de renda e empregos, além de expandir novos negócios. Ela ressaltou que o elevado custo da energia elétrica é um dos limitadores do investimento.
 
Também o presidente da Bayer no Brasil, Theo Van Der Loo, considerou a medida positiva. Mas, segundo ele, o governo necessita anunciar pacotes de incentivos visando o longo prazo. Para ele, os custos da indústria com gás natural e logística ainda são elevados. "As iniciativas tomadas pelo governo ajudam a tornar as indústrias mais competitivas", disse.

Chinesa Foton fará caminhões na Bahia


Dez meses depois de a montadora chinesa JAC anunciar a construção de sua primeira fábrica no Brasil, em Camaçari (BA), na região metropolitana de Salvador, outra empresa automobilística da China prepara-se para desembarcar na Bahia - e, mais uma vez, em Camaçari, cidade que também conta com uma planta da Ford, onde são fabricados os modelos Fiesta e EcoSport.
Na sexta-feira (07), o governo baiano recebe os executivos da Foton Motors do Brasil, subsidiária da Foton Motor Group, maior fabricante chinesa de caminhões, liderada no Brasil pelo ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros, para assinar o protocolo de intenções de instalação da fábrica no Estado.
 
Com investimento inicial de US$ 300 milhões, a unidade vai ser instalada em um terreno de 1 milhão de metros quadrados e produzir dois modelos comerciais - a expectativa é de que sejam montados um caminhão leve e um micro-ônibus.
 
A previsão é de que a fábrica comece a operar no fim do ano que vem - antes da unidade da JAC Motors, que tinha previsão de início de atividades para março de 2014, mas cujos planos foram suspensos até que o governo federal divulgue as regras do novo regime automotivo para as montadoras que pretendem se instalar no País.
 
Montagem 
Inicialmente, a Foton vai apenas montar os veículos com kits de peças fabricadas na China, sistema conhecido como CKD. A operação deve empregar mil pessoas até 2017.
 
Segundo a Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado (SICM), porém, os planos são de expansão gradual do conteúdo nacional nos modelos da Foton no País, chegando a 65% em 2017, quando a empresa espera produzir 30 mil veículos anuais na planta baiana. O planejamento também prevê a instalação, em quatro anos, de 130 pontos de venda no País e investimentos adicionais de R$ 2 bilhões.
 
Para o diretor executivo da Foton no Brasil, Osmar Hidalgo, a presença de fornecedores automotivos já instalados na região foi importante na decisão de fazer a fábrica na Bahia. A escolha pela Bahia foi motivo de comemoração para o governo. "É mais um investimento que consolida a região como um dos mais importantes parques automobilísticos do País", diz o secretário James Correia.
 
A Foton Motors começou a comercializar veículos oficialmente no País em janeiro, em três pontos de venda, todos em São Paulo. A meta da empresa é ter dez concessionárias até março. A operação brasileira foi iniciada com a venda de três modelos de caminhões leves, de uso urbano, com capacidades para 3,5, 6,5 e 8,5 toneladas.
 
Globalmente, a montadora tem operações em 90 países - na América do Sul, além do Brasil, atua na Colômbia, no Chile, no Peru e na Bolívia. Em todas as unidades, a empresa conta com 106 mil funcionários e bateu, em 2010, a marca de 1 milhão de veículos comercializados.
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Chery quer absorver mão de obra da GM


A montadora chinesa Chery quer contratar 1.500 trabalhadores que a concorrente GM (General Motors) deve dispensar a partir de novembro na fábrica de São José dos Campos (SP).
Segundo a Folha apurou, o vice-presidente da Chery no Brasil, Du Weigiang, e o ministro do Trabalho, Brizola Neto, negociam a absorção dos demitidos para realocá-los na fábrica que a empresa chinesa está construindo em Jacareí (SP).
 

A montadora asiática acertou com o Ministério do Trabalho a criação de um cadastro profissional para atrair os metalúrgicos interessados. A partir do cadastro, cujo lançamento está previsto para a segunda semana de outubro, a empresa fará cursos de capacitação técnica com o apoio do ministério.
 
A GM já comunicou o possível desligamento de 1.840 funcionários, mão de obra considerada excedente pela empresa.
 
A Chery afirma que será necessária a contratação de 1.200 funcionários na primeira fase de implantação da unidade, prevista para junho de 2013. A previsão é que sejam investidos U$ 400 milhões nessa planta.
 
A proposta de aproveitar os trabalhadores da GM interessa à Chery, pois a contratação de mão de obra já com experiência reduz, para a empresa, os custos e o tempo de qualificação.
 
Em outra ponta, mostra como os chineses têm sido agressivos na conquista do mercado brasileiro.
 
As contratações estão previstas para junho do ano que vem, e o lançamento do primeiro automóvel produzido na planta de Jacareí deve ocorrer em novembro de 2013, segundo informações levadas ao governo.
 
Após essa data, em uma segunda fase do programa de expansão no Brasil, a montadora prevê a admissão de mais 1.500 trabalhadores, podendo chegar a 4.000 trabalhadores em 2014.
Embora a GM tenha anunciado o desligamento de 1.840 trabalhadores, até o momento não houve demissões
 
Pouco mais de 900 funcionários estão com os contratos suspensos, recebendo Bolsa Qualificação do Ministério do Trabalho. Os salários são complementados pela montadora.
 
Nesse regime especial, chamado de "layoff", os trabalhadores são obrigados a ingressar em cursos profissionalizantes. Não há garantia de manutenção dos empregos após esse período, que a GM informa ser novembro.
 
Baixo salário
 
As negociações entre a Chery e o Ministério do Trabalho vêm ocorrendo de forma discreta devido à resistência do sindicato da categoria.
 
Líderes sindicais teriam reclamado ao governo que a empresa tem "fama" de pagar baixos salários. Na avaliação do governo, é necessário primeiramente garantir a recolocação dos trabalhadores para depois avançar na negociação salarial.
 
"O Ministério do Trabalho nos procurou, mas nós estamos tratando esse assunto de forma diferenciada. A negociação com a GM é uma coisa. Queremos a manutenção dos empregos de quem está no chamado 'layoff' com base no aumento de produção da fábrica. A questão da Chery é outra negociação", afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antônio Ferreira de Barros.
 
Segundo a Folha apurou, nos planos iniciais da Chery havia a intenção de trazer da China um alto número de trabalhadores asiáticos, mas o ministério conseguiu limitar a 240 trabalhadores chineses.
 
Eles são temporários e atuarão no treinamento dos funcionários brasileiros e no manuseio de máquinas.